segunda-feira, 1 de março de 2010

Monólogo da Dor

  Dor há quanto já nos conhecemos,
Porque ainda queres tentar,
Vá embora pois não quero tê-la em mim.
Chegaste para ficar somente um inverno,
(posto que o frio é algo próprio de ti)
mas pareces entender que em todas as estações,
vais doer infindamente e isso independentemente das
primaveras, dos outonos ou dos verões.

Buscaste refúgio num romance largado,
e hospitaleiro não te deixei chorar...
Te dei tudo bem acima do que propuseste,
tu querias uma sombra, eu te dei o meu pensar,
tu querias uma casa, eu te dei o meu penar,
tu querias uma cama, eu te dei o meu olhar.

As noites do amanhã precisarão do teu lugar,
os minutos da hora seguinte não mais irei te alugar,
não alugarei meus sentimentos, não alugarei meus pensamentos.
Já levaste os meus gritos, muito, muito antes dos meus risos,
e ainda pedes um tempo a mais?

Não se preocupe não te digo hoje “adeus”,
pois a vida que carrego neste tempo,
parece gostar dos teus serviços.
É apenas “até logo”, pois em você e com você,
aprendi a reagir, e na busca do “abandonar-te”
Tu mesmo curiosamente me ajudaste.

Dor.
Firmaremos então um trato,
caso apareça e precise ficar,
deixarei escrito na entrada:
“Volte outra hora, volte depois, volte amanhã!
Saí para viver, saí para enternecer, saí para respirar...”
(Clayton Rêgo Mendes)

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