Dias desses, a jornalista Miriam Leitão, em sua coluna no jornal o Globo, lamentou em homenagem legítima, a morte do Diego, menino diferente,sensível, artista de alma e estrela de primeira grandeza., que teve visibilidade na mídia, graças ao relacionamento estreito que os movimentos sociais tem hoje com o Estado. Uma tristeza a morte precoce do Diego, conhecido como azul, por seu tom de pele retinto.
Mas por que o menino azul morreu? Quem matou o Diego? Foi o Estado! Matou um menino pobre e preto e ratificou a sua política de saúde que é política de morte!
Diego, de saúde frágil desde o nascimento, adoeceu. Foi levado a vários hospitais públicos, que diagnosticaram erradamente a sua doença e quando descobriram que era leucemia em estado avançado, não dava mais tempo de salvar o menino.
Foi, portanto o Estado que matou o menino azul, como mata milhares de pessoas que procuram pela Saúde no Rio de janeiro! Isso a Miriam leitão não falou em sua coluna...
Assim, ver no enterro do Diego a presença do Estado, chorando a sua morte, me causou náuseas e dor. Dor pela morte de mais um excluído e criminalizado por sua pobreza, dor por ver um menino que era a cara da resistência e superação ser morto por quem deveria lhe proteger.
E náusea por ver a que ponto chegamos: O Estado se solidariza com a família e os movimentos sociais que atendiam o menino azul, esquecendo que foi ele quem matou o menino. E ninguém diz nada, nem a Miriam leitão. O movimento social se cala e chora junto com o Estado o fim trágico do Diego como se estivesse escrito nas estrelas, como se fosse vontade de Deus a sua morte...
Um amigo antropólogo registrou de forma precisa esse estreitamento:
'Vejam onde nós chegamos em termos de domesticação das massas.
O menino Diego Frazão, de 12 anos, morreu. No enterro do menino quem aparece por lá na maior cara de pau? Vossas excrecências os secretários de Estado de Educação, Tereza Porto; Segurança Pública, José Mariano Beltrame e o de... Saúde, Sérgio Côrtes. Eles foram se solidarizar com a família... Eles realmente não têm nada com o que aconteceu com o menino...
E o populacho está tão amansado, comendo na mão, que nem uma vaia, nem uma demonstração de repúdio foi esboçada... Os movimentos sociais se mancomunaram de tal forma com o Estado que passaram a fazer parte dele... Tristes tempos' (Rolf Ribeiro de Souza) .
Assim, Choremos todos a morte do Diego, mas gritemos e protestemos pois ele foi morto pelo Estado, mesmo que a Miriam Leitão e o jornal o Globo, sempre tão ideologicamente parciais, omitam esse assasinato.
Assim, Choremos todos a morte do Diego, mas gritemos e protestemos pois ele foi morto pelo Estado, mesmo que a Miriam Leitão e o jornal o Globo, sempre tão ideologicamente parciais, omitam esse assasinato.

3 comentários:
Bizarra conclusão: então o Estado -- supostamente representado por milhares de assistentes sociais preventivos -- deveria ter ido antecipadamente à casa de Diego, como também à casa de milhões de outras crianças em sua condicão, estado e situação, e ter DESCOBERTO que o garoto tinha leucemia. Sim, o Estado brasileiro foi incapaz de fazer isso, como também teria sido incapaz de fazê-lo o Estado japonês, o sueco, o americano e qualquer outro, onde também se supõe que existam médicos que podem eventualmente dar um diagnóstico errado nesse tipo de caso.
A familia do garoto, essa, não é culpada de nada, absolutamente nada.
Bizarra conclusão, aliás extraordinária conclusão.
Curiosa noção assistencialista, também, que joga toda a responsabilidade nas costas do Estado, essa mãe onisciente, onipresente, e toda-poderosa, e deixa a família num papel totalmente passivo.
Curioso post este...
Prezado Paulo R. de Almeida.
Fiquei feliz com o seu comentário. Afinal, vozes discordantes são sempre bem vindas mesmo que sejam elas eivadas de ideologia que criminaliza o pobre e considera desnecessária a sua existência.
Quanto ao erro médico, é sim, naturalíssimo passar por vários hospitais públicos e ter o diagnóstico errado,mas vc não deve saber o que é isso. Talvez nunca tenho subido um morro e muito menos precisado ir a um hospital público para ser atendido e/ou diagnosticado.
A culpa, claro, da família é ser pobre...
Já sei, sua visão liberal o faz odiar ver o Estado preocupado com esse tipo de gente... eu entendo perfeitamente, quero dizer, entendo a sua visão.
Mas o respeito. Passe sempre por aqui e deixe seu comentário. Será sempre bem vindo.
Admira-me ver que pessoas aparentemente esclarecidas tenham tão pouca sensibilidade a respeito do descaso com que são tratados os pobres no Brasil. Todos os dias assistimos que milhões de pessoas são privadas dos direitos à saúde, saneamento básico e à educação. Fico profundamente triste por concluir que o Senhor Almeida ignora totalmente o que é o papel de um estado. É claro que nunca isso aconteceria no Japão ou na Suécia, para seu conhecimento, onde - para além de não haver pobres - todos têm direito aos mesmos serviços, tratamentos etc, em todas as áreas sociais. Nos Estados Unidos sim, pode ser diferente porque o Brasil copia durante anos o mesmo modelo, ou pior, de exclusão. Bizarra é a conclusão do Senhor Almeida, com todo o respeito pela sua opinião. Diagnóstico errado no Japão e na Suécia? Desculpa mas não tem acompanhado os fatos. Enfim, é triste!
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